BRUMADINHO: DIAGNÓSTICO SOBRE AS AÇÕES DE COMUNICAÇÃO E GESTÃO DE CRISE

Na tarde da última sexta-feira, 25, no município de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma barragem de rejeitos da Vale se rompeu. E ao longo dos últimos dias muitos dados circularam pelos meios de comunicação, principalmente os digitais. As fontes de informação são as mais diversas, algumas delas vindas da própria mineradora e outras da imprensa atenta à situação. Em meio a tantas notícias, atualizadas a cada segundo, algumas foram classificadas como fake news e acionaram um alerta para que a população esteja atenta a importância da disseminação de mensagens verídicas.

O Grupo Excom, especializado em gerenciamento de crise, elencou alguns pontos cruciais sobre a postura da Vale no processo de comunicação durante a catástrofe.

ASSUMIR RESPONSABILIDADES – Acerto

Essa é a primeira regra durante a gestão de uma crise: demonstrar a preocupação e dimensão do ocorrido. A Vale, em grande parte do processo de comunicação, reafirmou o envolvimento com a tragédia e lamentou o evento.

NÃO AGIR PREVENTIVAMENTE – Erro

Em suas barragens, a Vale costuma utilizar uma tecnologia de construção bastante comum nos projetos de mineração iniciados nas últimas décadas. Contudo, a escolha é considerada por especialistas uma opção menos segura e mais propensa a acidentes.

CONTRATAR UMA AGÊNCIA PARA GESTÃO DE CRISE DE ÚLTIMA HORA – Erro

Crises acontecem periodicamente e uma gestão bem-sucedida não é realizada da noite para o dia. Muito pelo contrário, o processo exige extremo conhecimento sobre a rotina organizacional. Segundo dados do portal Bol, a mineradora só contratou uma empresa para gestão da crise após o incidente, a escolhida foi a Inpress.

O gerenciamento tem como objetivo, reduzir e/ou excluir os impactos causados por determinado momento de desequilíbrio, assim a contratação e planejamento devem ser realizados com antecedência e preparação.

NÃO POUPAR RECURSOS PARA RESOLVER O PROBLEMA – Acerto

Também segundo o portal, foram contratados 60 profissionais de comunicação para gerenciar o acontecimento e que somam esforços com os demais colaboradores da empresa.

FONTE: https://bit.ly/2MKgqKX

DEMORAR NO PRONUNCIAMENTO – Erro

As primeiras notícias sobre o acidente começaram a sair por volta das 13 horas. A Vale só publicou um fato relevante sobre o assunto pouco depois das 15 horas. Mais de duas horas se passaram, um tempo considerado lento diante a agilidade do meio online. FONTE: https://bit.ly/2RuhWS5

TEXTO CONCISO – Acerto

A instituição publicou uma nota de página inteira nos principais jornais do país e obedeceu a todas as recomendações para uma situação de crise. O conteúdo foi claro e bastante objetivo.

FORNECER DETALHES – Acerto

A mineradora em todo pronunciamento se preocupou em criar um canal aberto de comunicação para atender e dar apoio à população, além de apresentar o site no qual poderiam ser encontradas as informações atualizadas sobre o fato. Durante um momento de crise a empresa deve se mostrar solícita e disposta a compartilhar informações verídicas.

PORTA-VOZ ESTRATÉGICO – Acerto

Crises exigem porta-vozes oficiais que conheçam a organização, seus processos, aspectos positivos e também os negativos. A Vale trouxe o CEO a público para pronunciamento. Apesar da escolha assertiva, o mesmo não aparentou estar em posse de todas as informações estratégicas ou de um Q&A completo, que é o recomendado.

FALTA DE MEDIA TRAINING – Erro

É preciso que todos os colaboradores estejam alinhados em seu discurso. O que não ocorreu com a empresa, já que teve que proibir o advogado responsável de se pronunciar sobre a tragédia em Brumadinho, após ele dizer aos jornais Folha de São Paulo e Estado de São Paulo que a Vale não via responsabilidade pelo ocorrido.

Fonte: https://glo.bo/2S4Wtnl

 

NÃO APRENDER COM OS ERROS – Erro

O término da crise não significa que os desafios acabaram. Em um planejamento de gestão de crise a regra essencial é que as organizações aprendam com seus erros. Uma mineradora do porte da Vale deve estar preparada para situações de crises emergenciais como essa, principalmente levando em consideração que já tiveram uma terrível experiência há poucos anos com o caso da Samarco, em Mariana.

 

Por: Ellen Gonçalves.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *